Caderno PrumoQuiropraxia
Quiropraxia é perigosa? O que dizem os estudos
Na maior parte das vezes, o efeito indesejado é uma dor leve que passa em um ou dois dias. O risco grave é raro; a conversa antes ajuda a identificar quem não deve receber a manobra, mas não elimina todo risco.

Em resumo
- O efeito indesejado mais descrito nos estudos é dor leve no local, que costuma passar em 24 a 48 horas.
- O evento grave, a lesão de uma artéria do pescoço, é raro, e a ciência ainda discute se a manobra o provoca ou apenas coincide com um problema que já começou.
- Hérnia com perda de força, dormência na região íntima ou perda do controle da urina é emergência: pronto-socorro, não manobra.
Então, fazer quiropraxia é perigoso?
Você dormiu torto na rede, encarou duas horas de estrada até Caraíva, boa parte de terra, e o pescoço travou. Alguém sugere “uma quiropraxia”. Outra pessoa manda um vídeo de estalos com um alerta de AVC. As duas falam de coisas reais, só que em proporções muito diferentes.
Nos estudos sobre dor lombar, os efeitos indesejados da manipulação da coluna foram, na maioria, leves e passageiros. O evento grave mais discutido é raro, envolve as manobras rápidas no pescoço e ainda tem causa debatida. Uma boa conversa antes ajuda a reconhecer sinais de alerta e quem não deve receber a manobra, mas não exclui todo risco nem substitui avaliação médica.
Quais são os riscos da quiropraxia?
Os comuns: dor leve e passageira
Uma revisão publicada no BMJ em 2019 reuniu 47 ensaios clínicos sobre dor lombar crônica. A manipulação da coluna aliviou a dor e melhorou a função de forma parecida com outras abordagens recomendadas, como o exercício. Os efeitos adversos registrados foram, em sua maioria, benignos e transitórios: sensibilidade no local, que costuma passar em 24 a 48 horas.
Para a dor lombar aguda, outra revisão, publicada no JAMA em 2017, encontrou melhora modesta da dor e da função. Nem solução mágica, nem catástrofe: um recurso entre outros.
O raro e grave: as artérias do pescoço
Pelo pescoço passam as artérias vertebrais e as carótidas. Em 2014, a American Heart Association e a American Stroke Association publicaram uma declaração científica sobre a associação entre a manipulação cervical de alta velocidade e a dissecção dessas artérias, um rasgo na parede interna do vaso que pode levar a AVC. O alerta vale sobretudo para adultos com menos de 45 anos.
O outro lado do debate veio do Canadá. Um estudo com registros de saúde de Ontário, somando mais de 100 milhões de pessoas-ano (Cassidy e colegas, 2008), encontrou para o AVC dessa região a mesma associação com uma consulta de quiropraxia no mês anterior que com uma consulta ao clínico geral. A explicação proposta: a dissecção pode começar sozinha, com dor de cabeça súbita e dor no pescoço diferente de tudo, e a pessoa procura ajuda, seja médico ou terapeuta manual, com o problema já em curso.
Nenhum dos dois trabalhos encerra a discussão. Não está provado que a manobra provoque a dissecção, mas uma manobra rápida no pescoço de quem já está com a artéria lesionada pode agravar o quadro. Por isso, dor de cabeça súbita ou recente e dor no pescoço atípica pedem médico, não manobra cervical. É um evento raro em números absolutos, e grave quando acontece.
Quem não pode fazer quiropraxia?
As diretrizes da Organização Mundial da Saúde sobre formação e segurança em quiropraxia (2005) separam dois grupos de contraindicações.
Manobra rápida, nunca (contraindicações absolutas):
- fratura recente, luxação ou instabilidade da coluna, inclusive na junção entre o crânio e o pescoço;
- tumor nos ossos ou nas meninges, inclusive metástase na coluna;
- infecção ativa na coluna ou nas articulações;
- síndrome da cauda equina ou perda de força que avança;
- aneurisma da aorta abdominal ou doença vascular grave;
- inflamação articular em crise, como espondilite anquilosante ou artrite reumatoide ativas.
Só técnicas suaves, com cautela (contraindicações relativas):
- osteoporose importante;
- uso de anticoagulante ou distúrbio grave de coagulação;
- dor que desce pela perna por causa do disco, crônica e estável;
- cirurgia de coluna com parafusos, placas ou prótese;
- gravidez avançada.
Quem tem hérnia de disco pode fazer quiropraxia?
Depende do quadro, e quem define o quadro é o médico.
- Dor que desce pela perna, já avaliada, crônica e estável. A diretriz da OMS classifica como contraindicação relativa: a manobra rápida fica de fora; técnicas suaves e trabalho muscular podem entrar, com liberação médica.
- Perda de força que piora, dormência na região genital, no ânus ou na parte interna das coxas, perda do controle da urina ou dificuldade súbita para urinar. É suspeita de síndrome da cauda equina, uma emergência: vá ao pronto-socorro.
A diretriz britânica NICE para dor lombar e ciática só considera terapia manual como parte de um plano que inclua exercício. E vale dizer com todas as letras: nenhum dos estudos citados aqui mostra manobra ou massagem resolvendo a hérnia em si. O papel delas é outro: aliviar tensão muscular e trazer conforto no curto prazo, dentro de um cuidado acompanhado pelo médico.
Sinais de alerta: quando procurar um médico em vez de uma manobra
Procure atendimento médico, e não marque manobra nem massagem forte, se tiver:
- dor de cabeça súbita e intensa, ou dor no pescoço recente e diferente de tudo que já sentiu;
- dormência na região íntima, perda do controle da urina ou fraqueza que avança nas pernas (nesse caso, pronto-socorro);
- febre junto com dor forte nas costas;
- histórico de câncer e dor nas costas que piora à noite e não alivia com repouso, ou perda de peso sem explicação;
- dor depois de queda ou pancada, principalmente com osteoporose ou uso prolongado de corticoide;
- dor na panturrilha com inchaço de um lado só, calor ou vermelhidão, que pode ser trombose.
Quem é quiropraxista no Brasil, e como escolher
O Brasil não tem lei federal específica nem conselho próprio para a profissão de quiropraxista. Hoje, a formação em quiropraxia acontece por dois caminhos:
- Graduação em Quiropraxia: bacharelado reconhecido pelo MEC, de quatro a cinco anos, que segue as diretrizes da OMS.
- Fisioterapeuta com especialização: o COFFITO reconhece a especialidade de Fisioterapia em Quiropraxia (Resolução 399/2011), com título de especialista registrado no conselho. Em 2022, o STJ decidiu que fisioterapeutas podem praticar quiropraxia.
Na massoterapia, a formação complementar em técnicas de quiropraxia pode compor o repertório do profissional. Na sessão, esse conhecimento se combina aos recursos da massagem, de acordo com a avaliação, as contraindicações e o consentimento de quem recebe o cuidado.
Além da formação, observe a conduta. Quem vai tocar na sua coluna deve perguntar sobre a sua saúde antes de começar, explicar o que pretende fazer, pedir o seu de acordo e interromper quando aparece um sinal de alerta.
Como a Prumo trabalha
A Prumo é massoterapia. Bruno Cézar Mendes é massoterapeuta com formação complementar em Quiropraxia Clínica pelo Instituto Medina, em Itabuna, concluída em julho de 2026. Ele aplica as técnicas de quiropraxia na massoterapia, sempre depois de conversa e avaliação.
- Conversa primeiro. Gestação, cirurgia recente, trombose, febre, dor súbita no pescoço, uso de anticoagulante: tudo isso é perguntado antes.
- Avaliação. Bruno observa a postura e o movimento e explica o que pretende fazer.
- Massagem de preparo; manobra só quando faz sentido. Às vezes a sessão inteira é massagem, e está tudo certo.
- Encaminhamento. Com qualquer sinal de alerta, a manobra fica de fora e a orientação é procurar um médico.
Se você está em Arraial d’Ajuda, Porto Seguro ou Trancoso e quer entender se as técnicas de quiropraxia fazem sentido para o seu corpo, comece pela conversa. Veja como funciona a sessão com técnicas de quiropraxia, o que esperar da primeira sessão e, se a dúvida for o barulho, o que é o estalo nas costas. A formação do Bruno está detalhada em quem é o Bruno.
Fontes consultadas
- Rubinstein SM, de Zoete A, et al., 2019. Benefits and harms of spinal manipulative therapy for the treatment of chronic low back pain: systematic review and meta-analysis of randomised controlled trials. BMJ.
- Paige NM, Miake-Lye IM, Booth MS, et al., 2017. Association of Spinal Manipulative Therapy With Clinical Benefit and Harm for Acute Low Back Pain: Systematic Review and Meta-analysis. JAMA.
- Biller J, Sacco RL, Albuquerque FC, et al., 2014. Cervical Arterial Dissections and Association With Cervical Manipulative Therapy: A Statement for Healthcare Professionals From the American Heart Association/American Stroke Association. Stroke.
- Cassidy JD, Boyle E, Côté P, et al., 2008. Risk of Vertebrobasilar Stroke and Chiropractic Care: Results of a Population-Based Case-Control and Case-Crossover Study. Spine.
- World Health Organization, 2005. WHO guidelines on basic training and safety in chiropractic. Genebra: OMS.
- Finucane LM, Downie A, Mercer C, et al., 2020. International Framework for Red Flags for Potential Serious Spinal Pathologies. Journal of Orthopaedic & Sports Physical Therapy.
- National Institute for Health and Care Excellence, 2016. Low back pain and sciatica in over 16s: assessment and management (NG59). NICE.
- Kawchuk GN, Fryer J, Jaremko JL, et al., 2015. Real-Time Visualization of Joint Cavitation. PLoS ONE.
- Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional, 2011. Resolução COFFITO nº 399: disciplina a Especialidade Profissional de Fisioterapia em Quiropraxia.
- Superior Tribunal de Justiça, 2022. REsp nº 1.592.450/RS: prática de quiropraxia por fisioterapeutas (notícia institucional de 14/07/2022).
- Brasil, 1961. Lei nº 3.968: dispõe sobre o exercício da profissão de massagista.

Bruno Cézar Mendes é massoterapeuta em Arraial d’Ajuda, com formação complementar em Quiropraxia Clínica. Atende no espaço da Prumo e em pousadas, hotéis e casas da região. Conheça o Bruno.



