Pular para o conteúdo
massoterapia

Caderno PrumoTécnicas

Ventosaterapia: para que serve e por que deixa marcas

A ventosa puxa a pele em vez de empurrar o músculo. Pode aliviar a dor nas costas no curto prazo, deixa marcas que somem sozinhas e não serve para todo mundo.

Por Bruno Cézar Mendes, massoterapeutaPublicado em 6 min de leitura

Terapeuta faz alongamento assistido da perna de um homem deitado na maca, com uma raquete de beach tennis encostada na parede da varanda

Em resumo

  • Uma revisão brasileira (16 estudos, 10 deles na meta-análise) encontrou redução média de cerca de 1,6 ponto, numa escala de 0 a 10, na dor crônica nas costas, medida logo depois do tratamento.
  • As marcas roxas são sangue que escapou dos capilares por causa da sucção: costumam sumir em 5 a 14 dias e não indicam toxina nenhuma.
  • Anticoagulante, suspeita de trombose e câncer em acompanhamento pedem cautela: nesses casos, a ventosa fica de fora ou depende de liberação médica.

O que é ventosaterapia?

Copos de acrílico apoiados nas costas, um puxão leve na pele, a sensação de que o músculo está sendo erguido em vez de apertado. Isso é ventosaterapia: uma técnica que usa pressão negativa, o vácuo dentro do copo, para puxar a pele e o tecido logo abaixo dela por alguns minutos.

No SUS, a ventosa aparece dentro da Medicina Tradicional Chinesa, na Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares, e não como prática avulsa. Existem três jeitos de fazer, e a diferença importa:

  • Seca, com bomba manual: o vácuo é feito por uma pistola de sucção, sem fogo.
  • Seca, com fogo: a chama tira o ar do copo antes de ele encostar na pele. É nesse método que as queimaduras são mais comuns.
  • Úmida, com cortes (a hijama): a pele é cortada e há retirada de sangue. É procedimento invasivo, com risco de infecção, e não faz parte de uma sessão de massagem.

Para que serve a ventosaterapia, segundo os estudos

A evidência mais consistente está na dor crônica nas costas. Uma revisão sistemática brasileira (Moura e colegas, 2018) reuniu 16 estudos e, na meta-análise de 10 deles, encontrou redução média de cerca de 1,6 ponto na intensidade da dor, numa escala de 0 a 10, medida logo depois do tratamento. Os protocolos variaram muito, e o acompanhamento dos estudos foi de dois dias a três meses: não dá para dizer quanto tempo o alívio dura em cada pessoa.

É um resultado modesto e com ressalvas. A força dessa evidência é considerada baixa a moderada, porque é difícil esconder de quem recebe a ventosa que ela está sendo aplicada, e muitos estudos têm risco de viés. Uma revisão anterior, com 135 ensaios (Cao e colegas, 2012), também encontrou estudos em geral de baixa qualidade, a maioria com ventosa úmida, e concluiu que faltam pesquisas mais rigorosas.

Benefícios da ventosaterapia: o que dá para esperar

Com base nesses estudos, dá para esperar:

  • alívio da dor crônica nas costas no curto prazo;
  • relaxamento das áreas musculares mais contraídas, como costas e ombros;
  • estímulo da circulação local, na pele e logo abaixo dela.

Uma revisão sobre como a ventosa age (Al-Bedah e colegas, 2019) reúne hipóteses, como o aumento do fluxo de sangue no local e o estímulo de receptores da pele que modulam a sensação de dor. Os próprios autores concluem que nenhuma delas explica tudo sozinha e que faltam pesquisas para confirmá-las ou descartá-las.

O que a ventosa não faz

A ventosa não puxa toxinas, não “limpa o sangue” e não resolve doenças de órgãos internos. Também não substitui remédio para dor de uso contínuo. Filtrar e eliminar substâncias do corpo é trabalho do fígado e dos rins.

Como é a aplicação

Numa sessão de massagem, a ventosa pode entrar depois que a musculatura foi aquecida com as mãos. Os copos podem ficar parados por alguns minutos ou deslizar sobre a pele com óleo, puxando o tecido enquanto andam.

A intensidade da sucção é regulada pela bomba e pelo que você relata. Puxão, calor e pele esticada fazem parte; dor aguda, não. Parado, o copo não deve passar de 10 a 15 minutos no mesmo ponto, porque é aí que cresce o risco de bolha. Depois que os copos saem, a região costuma ficar avermelhada e pode ser trabalhada de novo com as mãos, em deslizamentos suaves.

Por que a ventosa deixa marcas roxas?

A sucção faz um pouco de sangue escapar dos capilares para baixo da pele. O resultado são marcas redondas, do vermelho ao roxo, às vezes com pontinhos (as petéquias). É um efeito esperado e benigno da ventosa seca, e não um sinal de toxina saindo.

Quanto tempo duram as marcas da ventosa?

Em geral, de 5 a 14 dias, e elas somem sozinhas. Por isso, a conversa antes da sessão inclui uma pergunta prática: você tem foto, evento ou dias de praia com roupa de banho pela frente? Com um casamento pé na areia em Trancoso no sábado, a ventosa pode ficar de fora ou ir para uma área que a roupa cubra.

Quando a marca não é normal

Sucção forte demais ou copo parado por tempo demais pode formar bolhas. Queimadura é risco do método com fogo. Bolha, ferida aberta ou dor que aumenta nos dias seguintes não fazem parte do esperado: procure orientação médica.

Quem não deve fazer ventosaterapia

Feita a seco, com bomba e sem exagero de sucção ou de tempo, a ventosa é considerada segura quando as contraindicações são respeitadas. São elas que pedem atenção:

  • Quem usa anticoagulante (como varfarina, rivaroxabana, apixabana ou heparina): o risco de hematoma é maior. A ventosa fica de fora, e a sessão segue com massagem suave.
  • Suspeita de trombose: dor na panturrilha com inchaço de um lado só, calor ou vermelhidão. Nenhuma técnica na perna até a avaliação médica.
  • Câncer em acompanhamento: massagem só com liberação do oncologista, e nunca sobre área de tumor, de radioterapia recente ou de metástase óssea.
  • Febre recente: a sessão espera.

Ventosa ou liberação miofascial?

As duas são técnicas locais, com efeito de curto prazo e evidência modesta na dor crônica nas costas. A diferença está na experiência. A ventosa puxa o tecido e costuma deixar marca por alguns dias. A liberação miofascial empurra, com pressão lenta e sustentada, e não costuma deixar as marcas redondas típicas da ventosa.

Para a dor lombar crônica, uma meta-análise de liberação miofascial manual (Wu e colegas, 2021) também encontrou redução pequena a moderada da dor, em estudos ainda pequenos. Na prática, a escolha passa pelo que você tolera, pela agenda dos próximos dias e pelo que aparecer na conversa antes da sessão.

Ventosa na sessão da Prumo

Na Prumo, a ventosa é uma das ferramentas da massagem esportiva, usada quando faz sentido: por exemplo, na rigidez de costas e ombros de quem passa o dia remando no SUP, jogando na areia ou carregando criança na praia. Ela entra depois da conversa, com aviso sobre as marcas e com o seu de acordo. Se você preferir sair sem marca, a sessão segue com liberação miofascial e outras técnicas manuais.

Quer saber se a ventosa cabe na sua sessão em Arraial d’Ajuda, Porto Seguro ou Trancoso? Na mensagem, conte só se tem algum evento nos próximos dias, por causa das marcas; as perguntas de saúde, como o uso de anticoagulante, ficam para a conversa antes da sessão. Veja também o que esperar da primeira sessão e os valores das sessões.

Fontes consultadas

  1. Moura CC, Chaves ÉCL, Cardoso ACLR, et al., 2018. Cupping therapy and chronic back pain: systematic review and meta-analysis. Revista Latino-Americana de Enfermagem.
  2. Cao H, Li X, Liu J, 2012. An updated review of the efficacy of cupping therapy. PLoS ONE.
  3. Al-Bedah AMN, Elsubai IS, Qureshi NA, et al., 2019. The medical perspective of cupping therapy: Effects and mechanisms of action. Journal of Traditional and Complementary Medicine.
  4. Wu Z, Wang Y, Ye X, et al., 2021. Myofascial Release for Chronic Low Back Pain: A Systematic Review and Meta-Analysis. Frontiers in Medicine.
  5. Lyman GH, Greenlee H, Bohlke K, et al., 2018. Integrative Therapies During and After Breast Cancer Treatment: ASCO Endorsement of the SIO Clinical Practice Guideline. Journal of Clinical Oncology.
  6. Ministério da Saúde, 2006. Portaria GM/MS nº 971: aprova a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares no SUS.

Bruno Cézar Mendes é massoterapeuta em Arraial d’Ajuda, com formação complementar em Quiropraxia Clínica. Atende no espaço da Prumo e em pousadas, hotéis e casas da região. Conheça o Bruno.

Perguntas frequentes

O que perguntam antes de agendar

Ficou alguma dúvida? Pergunte direto ao Bruno.

Falar no WhatsApp

Ventosaterapia dói?

A sensação é de puxão, calor e pele esticada. A força da sucção é ajustada ao que você tolera, e você pode pedir para aliviar a qualquer momento. Dor forte não é o objetivo.

Quanto tempo duram as marcas da ventosa?

Em geral, de 5 a 14 dias, e elas somem sozinhas. Se você tem foto, evento ou dias de praia pela frente, avise antes: a ventosa pode ficar de fora ou ir para uma área que a roupa cubra.

Ventosa tira toxinas do corpo?

Não. A marca é sangue que saiu dos capilares para baixo da pele por causa da sucção. Quem filtra e elimina substâncias do corpo são o fígado e os rins.

Quem toma anticoagulante pode fazer ventosa?

Não deve. O anticoagulante aumenta o risco de hematoma. Nesses casos, a ventosa fica de fora e a sessão segue com massagem suave.

Ventosaterapia serve para dor nas costas?

Uma revisão brasileira (16 estudos, 10 deles na meta-análise) encontrou redução média de cerca de 1,6 ponto, numa escala de 0 a 10, na dor crônica nas costas, medida logo depois do tratamento. É um efeito modesto, com evidência de força baixa a moderada. Dor forte, persistente ou com sinais de alerta pede avaliação médica.

Tigela de barro com óleo morno, frasco âmbar, toalhas brancas enroladas e um ramo verde sobre lençol de linho, com sombras de folhas de palmeiraUm tempo para você.

A sua pausa começa com um oi

Volte ao prumo.

Diga onde você está e quando quer a sua sessão. O Bruno combina o horário, o cuidado e o valor com você.

Agendar pelo WhatsApp